Avenida Nossa Senhora do Sabará, 4029 - Cidade Ademar, São Paulo/SP

O suicídio é um problema de saúde pública, no mundo este ano morreram cerca de 800.000 mil pessoas por causas relacionadas ao suicídio. O Brasil está entre os 10 países com taxas mais elevadas de suicídio.

Em 2017 morreram 12.495 por lesões autoprovocadas intencionalmente (MS/SVS/SIM-DATASUS) um aumento de 9,3% em relação ao ano de 2016, se considerarmos o período de 2014 a 2016, houve um aumento de 17,3%.

De 2014 a 2017 tivemos no Brasil 45.759 óbitos por lesões provocadas intencionalmente, deste a maioria absoluta do sexo masculino 78,9%, 36.078 e 9.671 do sexo feminino.

Deste total, 68% dos óbitos 28.080 ocorreram no domicílio.

Neste mesmo período tivemos a maior prevalência de aumento por faixa etária respectivamente de 60 a 69 anos aumento de 39%, entre 0 a 19 anos com 29% e de 70 a 79 anos com 28,8%, um total de 3.633 jovens que foram acometidos pelo suicídio.

As informações acima nos remetem a refletir qual o nosso papel e responsabilidade no cuidado de pessoas em sofrimento existencial.

Considera-se que as alternativas de prevenção aos processos autodestrutivos, bem como, de posvenção demandam a ampliação das possibilidades existenciais para que a pessoa se torne consciente não somente de suas necessidades, mas também de que o suicídio não seja a única saída para seu sofrimento.

Em “setembro” comemoramos o mês mundial de Prevenção ao Suicídio, precisamos acolher e escutar o sofrimento e, por conseguinte cuidar destas pessoas.

Sobre acolher tomamos emprestado a fala do Dr. Dr. Antônio Gabriel Cândido Moreira Psiquiatra  – CERSAM Pampulha/BH-MG

“Acolher uma demanda significa, antes de qualquer coisa, reconhecer como legítima esta interpelação – e, responder, portanto! O enunciado desta resposta pode ser sim ou não, agora ou depois, aqui ou noutro lugar, comigo ou com outra pessoa. Trata-se de um sim que surge de uma postura de responsabilização.  Sim, você está dirigindo a mim (trabalhador deste serviço), a respeito de algo que você considera um problema de saúde. Seu endereçamento a mim não me aborrece nem me assusta: pelo contrário, conta com minha atenção. Isto não significa que eu vou automaticamente atender ao conteúdo do que você pede, mas com certeza, vou considerar o que você diz e avaliar o que fazer, ou seja: vou atender a sua demanda de ser escutado.

Não existe outra forma de cuidar das pessoas com pensamento suicida que não seja abordar o assunto e conversar abertamente com ela sobre este desejo, qual a intensidade, se tem planejamento e organização para tal ação.

Neste sentido o profissional de saúde tem o dever de avaliar os fatores de risco e fatores de proteção e principalmente cuidar e acompanhar este paciente em suas demandas e sofrimento.

Quem pode escutar e acolher esta pessoa? Qualquer profissional de saúde que tenha o mínimo de disponibilidade de emprestar sua escuta ao cuidado.

Dra. Karina Okajima Fukumitsu, diz que:  “O suicídio é uma solução definitiva para um problema temporário”

Portanto, neste mês de setembro e quiçá todos os outros dias do ano, fazemos um convite, para que todos os pacientes que visitarmos, acolher, realizar uma consulta e/ou uma coleta de exame.

Que possamos ouvir o inaudível.

Colocar –se ao lado do outro.

Fale-me de você?

Como está seu dia?

Você está bem?

Posso lhe ajudar em mais alguma coisa?

Se quiser falar, posso lhe ouvir.

Esta é nossa mensagem para que possamos acolher, escutar e cuidar.

AUTOR:
Edson Souza
Gerente CAPS Adulto II Cidade Ademar