Avenida Nossa Senhora do Sabará, 4029 - Cidade Ademar, São Paulo/SP

FACES DO ENVELHECIMENTO: OLHARES SOBRE O INVISÍVEL

A ideia do projeto surgiu quando um grupo de profissionais da gerontologia, angustiados com a invisibilidade do envelhecimento, decidiu retratar as diversas velhices e mostrar que envelhecer é um ato singular e democrático.

Com o objetivo de despertar o olhar para esse público, sua invisibilidade e às múltiplas velhices, convidamos a todos para conhecer algumas faces do envelhecimento e suas histórias.

Como expectadores, ao nos atentarmos à velhice do outro, temos a possibilidade de nos apropriar do nosso próprio envelhecimento.

Organização e Produção:
URSI/PAI Cidade Ademar – OS Santa Catarina – PMSP

Idosos participantes: Geraldo Lopes, Julia Ferreira dos Santos, Lizete Camargo de Oliveira, Margarida Graciano, Maria Cristina Guimarães, José Pedro Guimarães, Maria de Lourdes Pivato, Nair Lopes, Otavio Batista, Paulo Quintino, Maria Aparecida Maia Quintino e Paulo Vieira dos Santos.

Fotografia: Ale Bigliazzi Fotografia (Instagram: @alebigliazzifotografia)
Patrocínio: AGFA – Graphics Brasil (www.agfagraphics.com/global/pt_br)
Gráfica: Top Supply (http://www.topsupply.com.br)

Eu sou Geraldo Lopes, convivo aqui em São Paulo, tenho três filhos e tenho um pouquinho de netos e bisnetos. Tenho mais um filho que mora comigo, mas não é registrado no meu nome. Há muitos anos ele estava fora mas voltou e está morando na minha casa.  E tenho outro que faz tempo que não falo com ele.” Nós não convive mais”. Mas de mais estou passando bem, só a “doençazinha” minha, to achando meio ruim, mas vou fazer uma operação dia 23 as 10 horas, então eu fui em Minas e pedi pra uma irmã minha dar uma olhadinha em mim aqui… na minha “Perringuiça”. Tô esperando ela chegar na sexta feira e se Deus quiser vai dar tudo certo.

Eu gosto de mim por que eu convivo, to vivendo! Sempre com uns problemas e outros mas Deus ainda está me dando a vida. Eu recordo quando eu era novo e gostava de trabalhar em muitas firmas. Eu trabalhava em umas firmas que eu gostava muito e ganhava bem, aposentei e perdi tudo o que tinha nas firmas. Tinha bom salário… e no fim aposentei com um salário mínimo e então, vou vivendo assim mesmo.

Eu trabalhei numa firma na Água Funda, muito tempo… trabalhei em várias empresas, na Ford, na Toshiba e no fim… perdi tudo, mas estou apegado com Deus.

Gosto em mim porque deitei, dormi, levantei, porque Jesus me sustentou e está me sustentando. Não tenho preguiça de fazer nada. Sou crente graças à Deus, não gosto de nada errado.

Estou com 80 anos e graças a Deus acho que tudo o que eu queria fazer na vida eu já fiz. Trabalhei muito, criei meus filhos, cuidei do meu marido doente, meu filho também que já faleceu e isso ai faz parte da vida da gente e viajei nos lugares que tinha vontade de viajar, fui. E estou de bem com a vida. O que eu mais gosto de fazer é jogar meu carteado com as minhas amigas, na minha casa, não é a dinheiro, mas eu passo umas horinhas muito boas, a gente toma um lanchinho, toma um café. Briga de vez em quando, dá muita risada e assim que passo meus dias.

O que será que eu posso pensar. Pensa aí. Ah o que eu gosto mesmo na minha vida, é, eu, bom, o que eu gosto mesmo na vida é que eu tenho a sorte de ter meu filho que mora comigo, minha nora e meu neto, me dou muito bem com eles. E assim eu não me sinto assim sozinha e a gente se dá muito bem, eu vou onde eu quero e eles fazem o que querem e a gente vai levando a vida, até o dia que Deus quiser. Contar das viagens? As viagens que eu fiz era tudo aquilo que eu queria na minha vida, que era ir a Jerusalém, consegui. Fui também a Roma, Fátima, é. Conheci Lisboa, Madri, coisa que eu nunca esperava na minha vida e consegui realizar.

O que gosto em mim é conversar com as pessoas, manter as amizades. Me considero com saúde, consigo sair para as atividades semanalmente. Me considero feliz. Eu gosto de cozinhar até hoje.

M.C: Meu nome é Maria Cristina…nascida no estado de Minas Gerais…na cidade chamada Perdões, aonde tirava muito ouro, cidade do ouro. Gosto de mim mesmo. Porque eu sou sincera, eu procuro não mentir…procuro não mentir!  A Maria Cristina… ela é calma, ela gosta muito de assistir novela, ela adora novela. Chega a hora das oito horas tá ela sentadinha na cadeirinha, com os pezinhos pra cima um em cima do outro, esperando a novela começar. E aí, vai passando as horas…

J.P: Bom, eu sou José Pedro Guimarães, tenho 93 anos…Eu sou uma pessoa…muita… animada. Muita pessoa gosto muito de passear, gosto muito de futebol, adoro futebol, assisto muito futebol, sou uma pessoa bem alegre, gosto de ter muita amizade, procuro ter bastante amizade. Eu gosto de mim…quando que eu estava com saúde eu gostava mais que agora infelizmente eu fui acidentado, então… mas eu sempre gostei da vida! De viver…gosto de coisa alegre, gosto de conversar muito, com os amigos…né.

M.C: Casei em 48. Ele que escorregou, ele estava patinando (risos do Sr. José Pedro) escorregou perto de mim, talvez seja de propósito, escorregou e ficou… dali eu levei ele pra casa (risos de ambos). Quando eu casei, nós fomos pra Santos. Pegamos ônibus, não tínhamos dinheiro pra pegar taxi, né… fomos de ônibus. Chegamos lá, ficamos numa pensão. Quando estávamos, levantamos, tomamos café… quando viu, quem tava lá fora? Trazendo bolo, um bolo e uma máquina fotográfica para bater fotografia da gente? A minha mãe! A minha mãe foi atrás (risos).

J.P: “Não posso ficar sem minha filha”.

M.C: (risos) É tirar fotografia! (risos).

Gosto de mim porque tenho vontade de trabalhar, fazer artesanato, cozinhar, cozinho coisas gostosas, chás deliciosos, todos gostam muito. Me sinto feliz, mesmo com o problema do Parkinson, ajudo no que as pessoas precisam e ensino a fazer o que eu já sei.

Eu sou a Nair. Participei do grupo de dores, me senti bem melhor, graças a Deus estou bem e o que eu mais gosto em mim é que estou feliz, me tornei uma pessoa feliz, contente, estou muito bem.

Que todas que participaram sintam também o mesmo que eu senti e sinto e vou continuar sim enquanto tiver oportunidade, eu vou continuar porque é muito bom.

É uma pessoa que já passou por muita coisa na vida, boas e ruins. Mas hoje eu deixei um pouco de lado as coisas pra viver pra mim, cuidar de mim e viver pra mim. Porque chega, já cuidei muito de muitas pessoas e hoje eu quero descansar um pouco. Como faço isso? A hora que tem alguma coisa pra fazer, eu deixo ela lá no cantinho e vou, deito, coloco minhas perninhas pra cima e fico, deixo o tempo passar. É assim que eu faço. É.

O que eu mais gosto em mim, deixa eu ver… Gosto de trabalhar, fazer qualquer coisa. Sou uma pessoa que não gosto de ficar parada, tenho sempre que estar movimentando, fazendo alguma coisa, ocupando a mente, sabe. Gosto muito. Gosto muito de estar fazendo alguma coisa. Gosto muito de costurar, apesar que a vista não está ajudando, porque preciso fazer uma cirurgia de catarata mas mesmo assim ainda faço alguma coisa, eu não desisto, sou insistente sim. Tenho muita coragem, graças a Deus. As pessoas falam, o jovem de hoje, a maioria diz ‘tô cansado…’ Que cansado! Eu estou com 75 anos, não sinto canseira não. Eu tenho problema de saúde, deficiência nas pernas, no joelho. Mas dizer ‘eu to cansada’, não. Não tenho disso comigo não. Não sei o que é isso, não sei.

Sou Otávio Batista, morador na Rua Djalma Correia a 56 anos, tenho 73 anos de idade graças a Deus.

Eu gosto da minha pessoa, da minha alegria com todo mundo.

P.Q.: O que mais gosto de fazer é sentar lá fora e tomar sol, e quando tenho oportunidade gosto de conversar com meu irmão. Eu gosto de sair, conversar com os amigos e amigas, fazer novas amizades, conversar sobre os velhos tempos. Sou calmo e gosto das coisas corretas.

A Maria (esposa) é uma boa pessoa e muito esforçada. Ela era uma moça trabalhadora e honesta. Sou feliz por que consegui criar meus filhos e vê-los crescer.

M.A.: Eu gosto de cuidar da casa. Eu tenho um bom coração e gosto de ajudar o próximo.

Eu gosto da companhia dele (Paulo, seu esposo), é um bom companheiro.

Éramos vizinhos em nossa cidade natal. Paulo era um homem muito ativo e “ajudador” dentro de casa, isso me chamou a atenção. Um dia na igreja, na fila da comunhão, Paulo se aproximou de mim e começamos a conversar. No mesmo dia, à noite ele foi até a minha casa e foi assim que tudo começou. Sou feliz porque minha família é unida.

Em casa a gente gosta de conversar, a gente conversa bastante, quando estamos só nós dois, gostamos de ouvir música sertaneja e a missa também, pois somos católicos.

Sou um ex-motorista autônomo. Trabalhei muitos anos com táxi. De táxi fui para trabalhar com ônibus coletivo. O que eu sempre gostei era de trabalhar com o público.

Hoje eu me encontro com 65 anos, aposentado, me encontro realizado. Agora posso fazer as coisas que não poderia fazer, na época, antes de aposentar. Posso passear, conhecer novos lugares, conhecer novas pessoas.